segunda-feira, 30 de julho de 2012

História - Indecisão.

A presença exagerada de papéis no chão da sala chamavam imensa atenção, ainda mais pelo fato de estarem amassados e com algumas palavras rabiscadas, onde tinham letras pequenas e possuíam frases curtas, eu franzia a testa e desconhecia o porquê daquilo tudo, justamente por volta das sete da noite, em que eu já havia voltado da aula. O primeiro papel havia escrito:
“Querida Isa, seja minha namorada. Gosto de você, e quero que nos vejam de mãos dadas no recreio, Rafa.”
O segundo bilhete, ainda mais amassado e com as letras tortas escritas por uma caneta azul, diziam: 
“Isabela, se você quiser, pode ser a minha namorada. Eu gostaria e ainda te traria jujubas no fim de tarde. Rafael.”
Eu não me contive em rir de tudo aquilo, e a ansiedade de ler os próximos bilhetes amassados com mãos trêmulas, aumentava. Assim como a timidez existente em cada palavra, já o terceiro bilhete, cheio de corretivo mal-passado, havia:
“Quer ser mais do que minha amiga? Seu Rafa.”
Eu ria e sorria ao mesmo tempo, não sabia o certo se era de alegria, ou de cada palavra escrita ali, o próximo bilhete era:
“Quer namorar comigo? Gosto mais de você, do que gosto de jogar futebol. Rafa.”
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“Bela, você me faz um bem danado, quer ser minha? Rafa teu.”
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“Quero que seja minha namorada. PS: Deixei um pacote de balas de hortelã porque sei que você gosta. Rafa.”
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“Eu gosto de você, você gosta de mim? Rafael.”
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“Não quero mais ser só seu amigo, quero ser teu namorado. Seu Rafael.”
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“Isabela Rocha, aceita namorar com Rafael Nogueira? Já posso beijar?”
A esse ponto, os bilhetes possuíam trechos mais breves ainda, o que me motivava era imaginar a reação que havia onde fora escrito cada recado. 
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“Isabela, você quer ser minha? Porque eu sou teu, e quero você seja minha também. Rafael.”

“Gosto de você, e queria tomar sorvete contigo e andar de bicicleta e beijar na chuva. Seja (minha) Isabela. Teu Rafa.”

“Isinha, eu gosto de você mais do que gosto de sonho de valsa. Namora comigo?”
O último bilhete, em que não estava amassado e nem um pouco mal escrito, dizia: 
“ISABELA, EU SOU UM IDIOTA E NÃO SEI TE ESCREVER. Rafael idiota.”
Eu ria e ria olhando pro nada, dava uma gargalhada de vez em quando e dormi com o estômago embrulhado de tanto rir, de mim, do Rafael, de tudo. 
No dia seguinte, o deixei um bilhete dentro do seu estojo cor-de-céu-noturno e um sorriso que guardava o Sol:
“Querido Rafael, há tempos que gosto de gostar de você, e eu achando que esses bilhetes nunca chegariam, surpreendeu e me fez rir, e sorrir também. E sim, pode segurar minha mão no recreio e me trazer jujubas. A propósitos: as balas de hortelã eram maravilhosas.
Sua Isabela.

Indecisão, Ariel S

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